"A Elegância do Ouriço" de Muriel Barbery

"É num edifício situado num bairro rico de Paris e habitado por uma burguesia rica e snobe, que decorre este emocionante romance contado a duas vozes. Alternadamente, as duas protagonistas vão dando a conhecer o seu bairro e as pessoas que as rodeiam. Renée é uma porteira de 54 anos, cultíssima autodidacta e apaixonada pela pintura naturalista holandesa, por filosofia, pelo cinema japonês e uma devoradora de livros. Paloma, a segunda protagonista, é uma adolescente de 12 anos, astuta, que percebe mais do mundo à sua volta do que aquilo que aparenta, e que deseja suicidar-se no dia do seu décimo terceiro aniversário. Entre a aparente humildade e ignorância de Renée e de Paloma, aparece um novo morador no prédio: o senhor Ozu, um japonês que inicia uma relação de amizade com ambas, formando-se um pequeno trio que terá para todos um papel redentor. Um livro terno, divertido e com personagens que irão cativar os leitores desde a primeira página."


A Minha Opinião:
Um livro bastante filosófico que nos faz pensar naquilo que realmente importa na nossa vida e nas coisas supérfluas a que damos importância no dia a a dia, mas sobretudo se mostramos o nosso verdadeiro "eu".
Custou-me um pouco a entrar na história, mas depois foi como uma "lufada de ar fresco".
A relação que se estabelece entre Renée, Paloma e Ozu é muito bonita, mas o final... bem, foi mesmo inesperado :S
Faz referencia a muitas obras literárias que eu gostaria de ler, mesmo as mais Filosóficas, a música e mesmo a cinema.

Este é um livro que muita gente deveria ler, para assim se conseguir encontrar e perceber que não basta parecer mas sim SER.

"Vejamos a primeira.

Há milénios que, entre os "conhece-te a ti mesmo" e os "penso logo existo", não se pára de glosar acerca dessa ridícula prerrogativa do homem que é a consciencia que ele tem da sua própria existência e sobretudo a capacidade que essa consciencia tem de se tornar a si mesma por objecto." (pag.47)

"E vamos à segunda questão: que conhecemos nós do mundo?

A esta pergunta, os idealistas como Kant respondem.

Que respondem eles?

Respondem: pouca coisa.

O idealismo é a doutrina segundo a qual só podemos conhecer o que é apreendido pela nossa consciencia, essa entidade semidivina que nos salva da bestialidade. Conhecemos do mundo o que a nossa consciencia dele pode dizer por ser o que ela apreende - e nada mais." (Pag.49)
(Bem Haja Melrita!)

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