"Marés de Inverno", de Luís Miguel Raposo

"« - A minha memória tem buracos que não consigo preencher - disse-me em tom triste. Quero recordar a nossa juventude, mas tudo parece desligado. Tu podias escrever acerca de nós, Vasco, sempre tiveste jeito para essas coisas.» Deitado numa cama de hospital para morrer, Michael vai perdendo a clareza das memórias de rapaz, quando o seu mundo era apenas um grupo de amigos surfistas e a enorme paixão pelo mar que os mantinha unidos.Vasco assiste ao crescente sofrimento do amigo, ao afastamento da mulher que ama, ao nascer de uma paixão emergente, à morte dos que mais estima, e aperta as rédeas do tempo para cumprir a sua promessa: escrever a história da sua juventude."

A Minha Opinião:
Depois de muito ouvir falar sobre este livro e de muitas criticas excelentes ler sobre ele cá chegou ele finalmente até mim.
Claro que assim que terminei a leitura que estava a fazer pequei-lhe logo, mas apesar da escrita do autor não consegui avançar muito na leitura, creio que por causa da leitura que tinha feito anteriormente que também tinha a ver com uma "cama de hospital". Resolvi abandonar a sua leitura e pegar noutro... foi o melhor que fiz.
Há realmente alturas certas para lermos um livro e o apreciarmos devidamente. Ontem resolvi voltar a pegar-lhe. Comecei novamente do inicio e aí sim consegui apreciar todas a letrinhas deste maravilhoso romance.
Afinal a "cama de hospital" acabou por ser o menos importante de toda a história (apesar de a mim me ter feito voltar a alturas menos boas).
Temos o Mar, o Surf, o Amor mas o que mais me tocou ainda foi a Amizade. Quantos de nós não tivemos Amizades assim e pelas circunstâncias da vida acabam por se "perder" nos tempos??? Perder, mas não completamente pois nas alturas em que são necessárias elas acabam por voltar... por vezes as circunstâncias em que isso acontece são muio tristes, mas mesmo assim sente-se aquela união que havia antes nos bons momentos.
A escrita do autor é simplesmente maravilhosa. Há alturas na leitura que ficamos extasiados com a forma como o autor nos descreve os seus sentimentos, há passagens lindas dignas de serem lidas e relidas infinitas vezes.
Pessoalmente houve uma que me marcou especialmente:

"Querido Amigo, quem te olhasse à distância ignorante do olhar dizia-te pequeno. Quem te conheceu nos caminhos do teu pensamento diz-te imenso. Havia em ti, na projecção do teu rosto, olhos pequenos que olhavam de um espaço sem tamanho, porque o que havia dentro de ti não conhecia muralhas." (pag. 99)

Depois houve a Daniela... que grande surpresa reservada para o final ;)

"A madrugada:
o rosto imóvel dela dentro de mim.Ela, uma obcessão de perda, a ocupar o espaço todo do meu corpo e a deixar-me vazio. Eu, desprovido.
Eu, carenciado.
Eu, cheio de ontade última e egoista e sem escrupulos de a querer para mim. Eu, como se soubesse instantemente o fim da existencia no instante seguinte e apenas quisesse ela nesse instante ultimo, ela no apagar do tempo.
Eu, a pensar:
o amor é a perda da inocência." (Pag. 52)

Mas depois...

"O amor é a prisão do espírito." (pag. 151)

Tenho de acabar o comentário ou então iria transcrever todas as passagens que gostei e não iria haver espaço para tantas ;)
Este é um livro que vou querer ter na minha estante para me poder deliciar de novo com esta história e as palavras mágicas que encontrei nele.

(Bem haja Fbeatriz e ao Site Segredo dos Livros)

3 comentários:

bauny disse...

Parece-me uma excelente sugestão!! Bjs e Boas Leituras!!

Cristina Bernardes disse...

Talvez o melhor livro que li este ano... quase de certeza,para deixar o talvez. Recomendo a todos!

Beijinhos Bauny é uma excelente sugestão.

Boas leituras Betita...Até breve

QUIM disse...

Dos melhores livros de sempre...